terça-feira, 7 de março de 2017

Especial Mês das Mulheres: Entrevista com Daniela Salinas, enóloga da Morandé Adventure

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que é celebrado mundialmente no dia 08/03, preparamos um especial Mês da Mulher aqui o portal de conteúdo da Grand Cru.
Durante todo o mês de março, vamos convidar e entrevistar sommelières, enólogas, executivas e mulheres que trabalham em diversas funções no mundo do vinho para compartilhar o trabalho que estão desenvolvendo!
Para estrear este espaço especial, entrevistamos a enóloga Daniela Salinas, profissional a frente da Morandé Adventure (antiga House Casa del Vino), um projeto do Grupo Belén, cuja sede é na  vinícola chilena Morandé, e que fomenta trabalhos de experimentação e produção de vinhos autorais, feitos à mão. O resultado é uma linha muito especial de vinhos diferentes, criativos e inovadores.
Confira a entrevista!
Equipe Grand Cru: Como costuma ser comemorado o Dia das Mulheres no Chile?
Daniela Salinas: O dia Internacional das Mulheres é um dia em que todos as mulheres vão para a rua marchar e falar sobre direitos e visibilidade. Infelizmente para nós, enólogas, o dia 8 de março coincide com o auge da época da colheita de uvas, estamos em uma grande correria e o dia passando voando.
GC: Como foi a sua trajetória até se tornar uma enóloga?
DS: Eu sou formada em Engenharia Agrônoma e fiz um mestrado em enologia e vinicultura. Estudei cinco anos de agronomia na universidade e outros três anos para ser especialista em enologia. Eu estudei muito tempo. Enquanto isso, trabalhei nas colheitas em diferentes vinícolas.
Eu decidi fazer enologia quando tinha 17 anos. Meu avô era francês e a verdade é que eu sempre estive muito ligada ao campo, a beber bem mais do que a fazer vinho. Ao mesmo tempo me dei conta que também tinha muita facilidade para detectar aromas, para poder relacioná-los a uma memória sensorial.
Enquanto ainda estava na minha cidade natal, poderia ter escolhido áreas distintas para trabalhar. Criar animais, cultivos vitivinícolas ou diretamente na parte de economia agrária. Decidi ser enóloga porque foi uma área que sempre me agradou muito.
Quando cultivei os primeiros ramos de parreira, assinei os primeiros rótulos produzidos, me dei conta de que isso era o que eu queria fazer para toda a minha vida: fazer vinho. E, de certa maneira, percebi que fazer vinho era, em si, um processo muito natural para mim. Esse é o lado romântico da minha história de fazer vinho.
Por outro lado, trabalhar na vinícola é sempre um caos. É sempre algo divertido, mas sempre um caos. Todos os dias acontece alguma coisa. Terminando a colheita parece que vai ter um pouco mais de calma, mas logo chega a hora de fazer os blends para os vinhos e cuidar da guarda.
GC: Por ser mulher, você já encontrou alguma dificuldade em sua trajetória profissional?
DS: Sim. Nessa área, na maioria das vezes os enólogos são homens. São sempre homens. E é mais difícil chegar a um certo nível, a uma certa hierarquia se você é mulher. Isso acontece justamente por este trabalho estar muito ligado ao campo e à vinícola, é um mundo um pouco mais machista, que tem um pouco mais de distinção entre os gêneros.
Na verdade, eu tive muita sorte porque me deixaram fazer coisas que colegas de trabalho minhas não podiam. Elas eram sempre enólogas assistentes, a segunda enóloga da vinícola, mas nunca atuavam como a enóloga que desenvolvia os seus próprios vinhos. É um pouco complicado. O campo é um lugar em que o machismo está muito presente.
Daniela Salinas apresentou os vinhos da Morandé Adventure no 11º Encontro do Sommelier da Grand Cru.
Daniela Salinas apresentou os vinhos da Morandé Adventure no 11º Encontro do Sommelier da Grand Cru.
GC: Quais enólogas inspiraram a sua trajetória?
DS: Irene Paiva [enóloga da Vistamar, vinícola do mesmo grupo da Morandé] é uma delas porque eu já a vejo trabalhar há cinco anos. Ela é muito profissional com o que faz e é muito determinada. Muito prática, quer resolver as coisas de forma rápida. Ela tem muita experiência nessa área. Tenho enólogas como referência que são de outras vinícolas. Por exemplo, eu gosto muito do trabalho que a Cecília Torres faz. Gosto também de outras enólogas mais jovens, que não são enólogas tão visíveis.
despechado-morande-adventure
GC: Qual é a história por trás do desenvolvimento do vinho Despechado, assinado por você?
DS: Eu descobri o vinhedo de onde vem as uvas do Despechado em 2007. Temos esse restaurante dentro da vinícola e, ao redor dele, um vinhedo. Eu sempre via esse vinhedo esquecido Ninguém cuidava muito, ninguém se preocupava muito com ele. E eu pensei “por que não se preocupar com ele?”, e então comecei a cuidar do vinhedo. E na verdade é que nesse momento me sugeriram fazer um vinho da maneira como eu sempre quis,  um vinho que foi inspirado em uma maneira feminina, e pensei “por que não fazer um vinho desse vinhedo?”. E com a uva que é a Pinot Noir.
Por estar perto da bodega, era fácil logisticamente. Antes de produzirmos este vinho, colhíamos as uvas e as misturávamos em outros cortes que fazemos na vinícola matriz, mas me pareceu que esta uva tinha um potencial especial. Ela possuía notas de frutas muito frescas, estava muito, digamos, em sua natureza pura. Ninguém nunca tinha se metido tanto dentro do vinhedo.
A verdade é que na primeira vez que fiz o vinho eu não sabia muito bem o que ia acontecer, só queria conservar esse caráter natural que tinha quando eu provava as uvas. O vinho não tem madeira por isso, porque eu queria conservar essa personalidade única que existia no vinhedo. Muitas vezes, a madeira amacia um pouco, faz uma troca que não é necessariamente o que você procura. O vinho é delicado, suave, mas ao mesmo tempo essa força que comentei, que está sempre aí.
GC: Como é o seu trabalho na Morandé Adventure?
DS: A Morandé Adventure reúne todos os enólogos do Grupo Belén, do qual faço parte. Eu sou como uma guardiã de todos os vinhos. Os vinhos que eu assino pessoalmente  são o Despechado e o Tirazis. Me encarrego 100% de fazê-los. Sobre os outros vinhos, o meu trabalho é acompanhar o enólogo conforme a uva vai amadurecendo, como vai ser vinificado, como vai evoluindo o vinho. De modo que chegue a um resultado completo. “Adventure” faz referência aos enólogos aventureiros, para nos inspirar a usar cepas diferentes, como a Pais, a Cinsault; cortes distintos; buscar formas distintas de vinificar, ovos, “tinajas” antigas, barricas, inox.
É como se fôssemos nos jogar em uma aventura diferente do que é fazer os vinhos das linhas principais da vinícola. Aqui dentro, é uma união, vamos fazendo tudo em conjunto. Cada enólogo tem uma percepção diferente do vinho, tem uma experiência diferente. A junção de todos esses atributos dá origem aos vinhos artesanais e autorais que temos.
 Vinho Tinto House Tirazis Syrah 2012 750 mL
Vinho Tinto House Tirazis Syrah 2012 750 mL
GC: Por que vocês buscam fazer vinhos naturais, com pouca intervenção?
DS: Isso tem a ver com o fato de querermos mostrar a fruta pura, a fruta mais delicada. Não usamos tanto leveduras e madeira. Já usamos convencionalmente em outras linhas de vinhos. Tentamos fazer algo um pouco mais divertido, um pouco mais inesperado. Colocamos as uvas para fermentar e não sabemos quando vai começar, quando vai terminar, quanto tempo vai levar. É um pouco mais dinâmico, um pouco mais divertido do que as outras formas de vinificar.
GC: Como você imagina as mulheres no mundo do vinho no futuro?
DS: Eu acredito que nós faremos cada dia mais. Já existem muitas mulheres trabalhando por trás de enólogos e que hoje não são visíveis, mas com o tempo serão. Muitas delas já têm os seus próprios projetos e aí está o mais interessante. Porque cada vez mais haverá maior número de vinhos feitos só por mulheres e para mulheres. Precisamos nos manter trabalhando sempre, fortes, porque em algum momento tudo isso será recompensado. O seu trabalho vai ser visto e isso não tem volta.
Conheça mais sobre o trabalho desenvolvido pela enóloga Daniela Salinas na Morandé Adventure aqui: www.morandeadventure.cl

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

10 tendências do mundo do vinho para 2017

vinho-2017-tendencia-laranja

Conversamos com profissionais da área e nossa equipe de Sommeliers para trazer nessa matéria as principais tendências para o mundo do vinho que você precisa ficar de olho em 2017! Descubra quais são os tipos de vinhos que serão mais falados e já prepare sua lista de rótulos para degustação!

1. A descoberta dos vinhos rosé pelos brasileiros

O vinho rosé é uma das grandes tendências de consumo para 2017. E sabe porquê? O rosé é a substituição perfeita para a cerveja na mesa de bar, programa tão adorado pelos brasileiros!
Como esse tipo de vinho apresenta um leve amargor no after taste – assim como a cerveja do tipo Pilsen – ele consegue limpar o paladar entre um aperitivo e outro de bar, além de harmonizar perfeitamente bem com frituras e petiscos que tanto adoramos, como linguiça e batata frita, frutos do mar e queijos à milanesa.
Saiba mais sobre os vinhos rosés como substitutos da cerveja.

Vinho Rose Berne Esprit di Mediterranée IGP 2015 750 mL
Vinho Rose Berne Esprit di Mediterranée IGP 2015 750 mL

2. Vinhos sul-africanos serão mais falados

A África do Sul tem ganhado cada vez mais espaço nas prateleiras das lojas especializadas em vinho e caindo no gosto dos consumidores de todo o mundo. O que torna a produção de vinhos sul-africanos tão especial é o fato de que, embora seja considerado um país do Novo Mundo, sua cultura vitivinícola é surpreendentemente antiga. De seus vinhedos mais tradicionais, por exemplo, vem o renomado Vin de Constance, rótulo que era o favorito de ninguém menos que Napoleão Bonaparte.
Se, por um lado, possuem a elegância típica do Velho Mundo, seus vinhos possuem um sabor intenso típico do Novo Mundo.
Por isso não foi surpresa quando, no ano passado, Chenin Blanc 2013 da Reserva Familiar de Kleine Zalze (Stellenbosch) ganhou o Concurso Mundial de 2015 como o melhor vinho do ano!
Vinho Branco Klein Constantia KC Sauvignon Blanc 2014 750 mL
Vinho Branco Klein Constantia KC Sauvignon Blanc 2014 750 mL

3. Vinhos naturais e orgânicos continuarão em alta

A onda da alimentação orgânica e natural invadiu também o mundo dos vinhos. O mercado de apreciadores que buscam cada vez mais por garrafas com o mínimo de interferência industrial e baixa porcentagem de aditivos químicos só cresce. Dentre as grandes linhas de cultivo, três se destacam entre as demais: os vinhos naturais, os vinhos orgânicos e os vinhos biodinâmicos.
Enquanto os vinhos orgânicos ganham os mesmos selos que os alimentos orgânicos, garantindo que não foram utilizados pesticidas e fertilizantes industriais, os biodinâmicos são provenientes de vinhedos que procuram uma integração total entre natureza, animais e seres humanos. Os naturais, por sua vez, focam em um modelo de cultivo com a mínima intervenção humana possível. Com muita personalidade, esses vinhos marcam o paladar de todos os que os provam.
Vinho Tinto Menguante Garnacha 2015 750 mL
Vinho Tinto Menguante Garnacha 2015 750 mL

4. A uva Cabernet Franc na Argentina

A Cabernet Franc é uma uva francesa muito importante no mundo do vinho por fazer parte do tradicional corte bordalês. A única região onde a casta era trabalhada como varietal era no Vale do Loire, mais precisamente na denominação de origem Chinon.
Imagine a surpresa quando essa uva começou a ser cultivada para produzir vinhos varietais fora do vale francês, aqui na nossa vizinha Argentina. A proposta inovadora está experimentando diversas formas de trabalhar a uva, que ainda está se encontrando no país. Sua principal característica são as notas herbáceas, principalmente de folhas. Não deixe de provar!
Vinho Tinto Zorzal Eggo Cabernet Franc Franco 2015 750 mL
Vinho Tinto Zorzal Eggo Cabernet Franc Franco 2015 750 mL

5. Os vinhos da moda: vinhos laranja

A expressão “vinhos laranja” não saiu da boca dos Sommeliers em 2016. Mas, afinal, seriam os vinhos da laranja um novo tipo de vinho, assim como os tintos, os brancos e os rosés? Nada disso! Na verdade, os vinhos laranjas são vinhos brancos produzidos de forma ancestral, com um processo muito semelhante aos tintos. Dessa forma, eles ganham corpo estrutura e taninos, se tornando vinhos brancos muito interessantes. Não à toa estão tão na moda!
Vinho Branco Bodegas RE Pinotel 2015 750 mL
Vinho Branco Bodegas RE Pinotel 2015 750 mL

6. Os espumantes brasileiros ganham o mundo

Os espumantes brasileiros estão ganhando o mundo! Em meio à Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, uma pequena comunidade de vinicultores se reuniu para conquistar a primeira Denominação de Origem brasileira! E, dentro dela, estão saindo os espumantes considerados pela Master of Wine Jancis Robinson como uma das 10 promessas para o futuro do vinho no Novo Mundo: os espumantes da vinícola Cave Geisse.
Espumante Victoria Geisse Extra Brut Vintage 750 mL
Espumante Victoria Geisse Extra Brut Vintage 750 mL

7. Vinho com menos passagem por madeira

Os vinhos com pouca – ou nenhuma – passagem por madeira estão ganhando o gosto dos apreciadores de vinho! Os vinho envelhecidos, além de mais caros, acabam perdendo as suas características mais marcantes e adquirem as notas da madeira da qual são feitos os barris. Além disso, o carvalho tem a capacidade de camuflar os defeitos do vinhos, o que pode ser bastante indesejado.
Não à toa, os apreciadores da bebida estão em busca de vinhos cada vez mais puros e que mostram sua personalidade: de onde vieram, as características dos seus vinhedos e claro, da uva da qual são produzidos.
Além disso, os vinhos sem passagem por madeira possuem um melhor custo-benefício do que os envelhecidos, já que entregam uma qualidade superior, por um preço mais em conta, e isto também vale para os rótulos do Velho Mundo.
Vinho Tinto Algairén Tempranillo 2015 750 mL
Vinho Tinto Algairén Tempranillo 2015 750 mL

8. Vinhos autorais

Vinhos autorais não são apenas rótulos assinados por grandes enólogos, mas o fruto de um trabalho de experimentação e pesquisa que traz uma inovação para o mundo do vinho. Os vinhos laranja, por exemplo, nasceram de um trabalho cuidadoso de resgate de processos ancestrais na garagem de algumas vinícolas – e hoje ganharam o mundo!
Pablo Morandé é um desses enólogos cujo trabalho precisamos acompanhar de perto. Este ano, ele lançou sua vinícola autoral, a Bodegas RE, e mostrou para o mundo um trabalho nunca antes visto no mundo do vinho: vinhedos com parreiras híbridas, que dão origem a duas cepas de uvas diferentes, em uma só árvore!
O vinho Bodegas RE Pinotel, que indicamos abaixo, é um corte misto de 95% Pinot Noir e 5% Moscatel, duas variedade uvas diferentes nascidas no mesmo pé!
vinho-branco-bodegas-re-pinotel-2015-750-ml
Vinho Branco Bodegas RE Pinotel 2015 750 mL

9. Preferência por comprar do pequeno produtor

Comprar do pequeno produtos de vinho: esta é uma das maiores tendências para 2017!
A procura por vinhos com história não para de crescer. Ao invés de grandes vinícolas com processos quase industriais e um grande departamento de marketing por trás de seus lançamentos, pequenas propriedades familiares, que dominam a arte da vinicultura há gerações, e que conhecem com profundidade sua terra, suas uvas e seus vinhedos.
São vinhos regionais, que acumulam sabedoria ancestral, e feitos para harmonizar com a gastronomia rústica de sua região de origem!
Vinho Tinto Pecchenino Dogliani DOCG San Luigi 2015 750 mL
Vinho Tinto Pecchenino Dogliani DOCG San Luigi 2015 750 mL

10. Vinhos com bom custo-benefício

Quem entende e gosta de um bom vinho sabe: um rótulo caro não é necessariamente o melhor vinho. Assim como o mais barato também não indica uma qualidade necessariamente inferior.
Por isso a expressão custo-benefício do vinho tem estado tão em voga. Ela mostra a relação entre a qualidade de um rótulo específico, em comparação com os outros da mesma faixa de preço. Isso significa que, quando indicamos um vinho com excelente custo-benefício, estamos mostrando um vinho que se destaca em qualidade e complexidade dentre todas os outros que custam o mesmo tanto que ele.
Vinho Tinto Circus Pinot Noir 2015 750 mL
Vinho Tinto Circus Pinot Noir 2015 750 mL

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Desafio: harmonização de comidinhas de bar com vinhos

Está chegando o calor, época de sentar em uma agradável mesa de bar na calçada ou na beira do mar, e beliscar petiscos durante todo o dia! E para quem gosta vinho, uma excelente notícia: é possível sim harmonizar os clássicos aperitivos botecos brasileiros com boas escolhas de vinhos brancos, rosés, espumantes e até mesmo tintos!

                                  comida-boteco-bar-harmoniza-vinho

Separamos 10 das melhores comidinhas de bar e indicamos os rótulos perfeitos para uma tarde ao ar livre. Confira:

10 comidinhas de bar que harmonizam perfeitamente bem com vinho

1. Porção de pastel de carne seca

O famoso pastel com carne seca pede um vinho que harmonize bem com a carne vermelha, como o tinto argentino Prófugos Malbec. Esse vinho é produzido em Mendoza, nos vinhedos da vinícola Zorzal, que situam-se a 1350 metros de altitude.
pastel-carne-seca-catupiry-receita-harmoniza-cerveja-vinho

2. Bolinho de Bacalhau

Como bons descendentes de portugueses, nós adoramos um bolinho de bacalhau! E para harmonizar com esse petisco, nada melhor que um vinho rosé gelado, como o Esprit di Mediterranée, o verdadeiro espírito do mediterrâneo engarrafado!
bolinho_de-bacalhau_português

3. Lula à dorê

Você sabia que Cava é como são chamados os espumantes produzidos na Espanha? E nossa indicação de rótulo para você bebericar enquanto petisca uma deliciosa lula à dorê é o Reyes de Aragón Brut Nature, feito por uma vinícola com mais de 150 anos de história.
lula-dore-bar-cerveja-vinho-harmoniza-receita

4. Linguiça alheira

Outra receita típica portuguesa que aparece na nossa lista e harmoniza muito bem com vinho. Para acompanhar esse misto de carne de porco, vaca e frango precisa de um vinho com estrutura do Van Zeller Alentejo, região vinícola tradicional de Portugal.
alheira-portuguesa-linguica-harmoniza-vinho-bar-cerveja

5. Iscas de filé mignon

Filé mignon e Merlot formam uma combinação perfeita! O Mancura Etnia Merlot é um vinho chileno produzido na região do Vale Central que praticamente derrete na boca de tão suculento!
iscas-filet-mignon-bar-boteco-harmoniza-vinho

6. Frango à passarinho

O frango à passarinho é outro clássico dos botecos brasileiros! Crocante e bem sequinho, o prato precisa de um vinho razoavelmente ácido para equilibrar a fritura. Nossa indicação é  espumante francês Henri Leblanc!
frango-a-passarinho-boteco-bar-harmonizacao0vinho

7. Polenta, mandioca ou batata frita

Aqui o desafio da harmonização é o queijo. Se você gosta das suas porções com uma generosa camada de queijo parmesão por cima, o Espumante Jeanne de Coste Brut é a escolha perfeita. Agora, se você prefere suas porções de polenta, batata ou mandioca sem o queijo, opte pelo italiano Pinot Grigio Barone Montalto Acquerello.
polenta-mandioca-batata-frita-porcao-bar-boteco-harmoniza-vinho

8. Provolone à milanesa

O queijo provolone empanado e frito é o acompanhamento perfeito para o Prosecco italiano Bottega Millesimato Brut, um espumante feito na mesma região onde nasceram as famosas grappas.
provolena-milagnesa-bar-boteco-harmonizacao-vinho

9. Amendoim

Não poderíamos deixar o amendoim fora da nossa lista! Não perca a chance de harmonizar esse petisco com o vinho português do Douro Meio Queijo, mas em sua versão branca!
amendoin-bar-boteco-harmonizacao-vinho

10. Coxinha

A receita da coxinha do tradicional bar paulistano Veloso fez o maior sucesso no nosso blog! Se você ainda não conferiu como fazer essa delícia em casa, não deixe de conferir o modo de preparo aqui. O salgado harmoniza com o Vinho Rosé Morandé Pionero Rosé 2015, a escolha certa para acompanhar aperitivos de todos os tipos.
Foto: Patricia Stavis.
Foto: Patricia Stavis.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Syrah pelo mundo: Vale do Rhône, Austrália, África do Sul, Argentina e Chile


syrah-norte-rhone-hermitage-australia-chile

A Syrah, também conhecida como Shiraz, é uma das seis variedades de uvas tintas mais cultivadas no mundo. Considerada uma das cepas mais antigas da humanidade, sua origem se perde no tempo desde a época da antiguidade clássica pelas terras do Oriente Médio. No entanto, o primeiro registro oficial do cultivo da cepa data apenas do século XII, momento em que ela aparece como um cruzamento natural entre a Mondeuse Blanche, branca, e a Dureza, tinta, na França.
Foi no Vale do Rhône, no sul do país, no entanto, que a uva se adaptou e se diferenciou de suas ancestrais, se tornando a base de importantes vinhos tintos produzidos nas regiões de Hermitage e Côte Rôtie.
Do Rhône, a Syrah se espalhou pelo mundo, se adaptando aos terroirs mais diversos e aos climas mais extremos, a ponto de ser cultivada hoje em quase todos os continentes do globo. Encontramos vinhedos da cepa da região litorânea do Chile, aos pés dos Andes na Argentina, e até nas planícies secas da Austrália, onde inclusive surgiram os vinhos que tornam a variedade internacionalmente famosa.
Os vinhos produzidos com a uva apresentam sabores de frutas e azeitonas pretas e aromas de especiarias apimentadas, com taninos e acidez médios e um bom corpo. Por isso se diz que os vinhos da Syrah possuem tanta personalidade. Nos vinhos do Novo Mundo, as notas são de frutas maduras e especiarias doces, como canela e cravo, além de notas florais. Já nos vinhos do Velho Mundo as notas são de frutas frescas e de pimenta-preta, além de notas terrosas e herbáceas, e acidez mais acentuada. Seus vinhos costumam passar sempre por barris de carvalho, e seus vinhos podem – devem – ser comprados para guarda.
Por ser uma cepa muito adaptável, e bastante resistente a doenças, a Syrah pode ser cultivada em partes do mundo com climas e terroir bastante distintos. No entanto, foi em Barossa Valley, na longínqua Austrália, onde ela melhor se adaptou fora da França.
Vamos, a seguir, falar sobre as principais regiões vinícolas do mundo da Syrah:

Norte do Vale do Rhône

O Vale do Rhône é uma das mais importantes regiões vinícolas francesas que se formaram ao longo dos rios que cortam o país. A diferença para outras regiões, como o Vale do Loire é que aqui, o carro-chefe são os encorpados vinhos tintos. A porção norte do Vale, responsável por um décimo da produção de vinhos da região e onde encontramos os rótulos de qualidade excepcional, possui um clima muito mais verde do que o sul mediterrânico. Seu terroir é formado por terraços de granito, com elevações e encostas ao londo do vale do rio.
A uva mais importante dessa região francesa é a Syrah, responsável pelos vinhos de cor profunda, aromáticos e com mutos taninos. Outras castas que também são cultivadas na região são a branca Marsanne e as tintas Roussanne e Viognier, todas utilizadas em pequenas porcentagens nos vinhos da Syrah.
Capela no alto da colina Hermitage
Capela no alto da colina Hermitage
A colina Hermitage, um importante afloramento granítico no Vale do Rhône, é uma das mais conhecidas apelações da região. Com apenas 130 hectares, o Hermitage é composto por terraços de granito de cerca de 350 metros de altitude, que se beneficiam enormemente da proteção dos ventos frios do norte e da exposição solar resultante da face sul e do solo granítico. A Syrah – única cepa plantada ali – é a grande beneficiada das características desse terroir.
Devido ao seu terreno íngreme, é impossível inserir qualquer mecanização, e o Hermitage sofre com a erosão dos seus solos causada pela chuva. No entanto, os vinhos da região são conhecidos por serem especiais desde a época dos romanos. Para se ter uma ideia, o Hermitage foi bastante utilizado no passado para fortalecer os bordeauxs tintos.
Embora seja uma única colina, o Hermitage divide-se em pequenos outros terroirs, cada um com climas próprios. Os vinhos resultantes, embora sejam cortes de diferentes altitudes, possuem características marcantes dependendo de sua origem: sei mais ao topo, se mais ao vale.
O vinho tinto Delas Frères Cozes-Hermitage Grands Chemins 2011 conquistou 92 pontos na escala Robert Parker. Com notas vigorosas de cereja-preta, amora, mirtilo, é um rótulo que tem muita presença de especiarias, como zátar e cravo.
VINHO TINTO DELAS FRÈRES CROZES-HERMITAGE GRANDS CHEMINS 2011 750 ML
Vinho Tinto Delas Frères Cozes-Hermitage Grands Chemins 2011 750 mL

Austrália

A Austrália conseguiu se tornar, em apenas poucas décadas, um dos maiores produtores de vinho do mundo. Com mercado consumidor pequeno, cerca de 60% de sua produção é voltada para o mercado externo. Devido ao clima impiedoso do país – quente e seco em sua maior parte, a Austrália depende totalmente da irrigação para manter os seus vinhedos.
A variedade mais plantada da Austrália é a Syrah, conhecida localmente como Shiraz ou até mesmo Hermitage Após décadas de plantio das mais variadas cepas, percebeu-se que essa é a uva que melhor se adaptou ao clima e solo australiano. Inclusive o país foi o maior responsável pela fama da casta após o boom de seus Syrahs dos anos 1980 e 1990, que tornou seu nome tão importante no mundo dos tintos quanto a Cabernet Sauvignon e a Merlot. O grande responsável por isso foi o vinho australiano Penfolds Grange, ganhador de diversos prêmios, como melhor vinho do ano pela revista Wine Spectator em 1995, e até hoje considerado um dos melhores Syrahs do mundo.
Vinhedos da vinícola Heartland Wines
Vinhedos da vinícola Heartland Wines
Hoje, o país tem a segunda maior área plantada da uva do mundo, perdendo apenas para a França. com 42 mil hectares, o que representa um quarto de todos os vinhedos do país, e Barossa Valley é a grande região produtora, assim como os vales de McLaren e Hunter.
Os vinhos australianos feitos da uva são bem diferentes dos franceses, mais cremosos e mais frutados, seus aromas são de groselha e de cerejas pretas.
O vinho tinto Hearland Shiraz 2013 é elaborado por vinhedos de duas regiões distintas: Langhorne Creek e Limestone Coast. Este Shiraz apresenta notas de chocolate, pimenta e tabaco no nariz e é ideal para acompanhar paleta de cordeiro assada e carnes vermelhas grelhadas.
VINHO TINTO HEARTLAND SHIRAZ 2013 750 ML
Vinho Tinto Hearland Shiraz 2013 750 mL

África do Sul

A África do Sul começou a cultivar a Syrah ainda no século XVIII. Bernard Podlashuk é considerado o pai da Syrah na África do Sul, já que foi responsável por engarrafar o primeiro vinho varietal da uva em Franschhoek, pela vinícola Bellingham, em 1957. No entanto, a uva só ganhou notoriedade a partir da fama dos Syrahs australianos, muito tempo depois. Hoje pode-se encontrar vinhedos da cepa em quase todas as grandes regiões vinícolas – são 10,5 mil hectares de vinhedos da variedade, quase metade do cultivo do país.
Para se ter uma ideia do rápido crescimento de sua popularidade, a uva passou de 4% do cultivo sul-africano em 1999 para mais de 10% em 2013. Nenhuma oura casta teve seu cultivo crescendo à uma taxa tão rápida quanto ela. Espera-se que, com a maturidade destes vinhedos, a qualidade dos vinhos cresça cada vez mais.
As principais regiões produtoras de vinhos Syrah são Paarl, Stellenbosch e Swartland, essa última ganhando fama por seus cortes de Syrahs no estilo do Norte do Rhône.
Embora os vinhos produzidos tenham estilos bastante diferentes, todos eles passam por madeira e apresentam um cor púrpura profunda, com notas de frutas vermelhas, defumado e pimentas, e envelhecem muito bem. Os Syrahs sul-africanos harmonizam bem com pratos de carnes vermelhas de sabores fortes e carnes defumadas.
Da região de Stellenbosch, o Vinho Tinto Remhoogte Valentino Shiraz 2011 tem sabores de fruta negra em compota. Simplesmente cativante!
VINHO TINTO REMHOOGTE VALENTINO SHIRAZ 2011 750 ML
Vinho Tinto Remhoogte Valentino Shiraz 2011 750 mL

Argentina

Desde que chegou na Argentina, a Syrah tem sido utilizada principalmente em cortes de outros vinhos tintos. No entanto, na última década, os enólogos passaram a dar mais atenção à essa variedade produzindo excelentes vinhos varietais. Duas regiões argentinas se destacam no cultivo da cepa: Mendoza e San Juan.
Em Mendoza, principalmente no Vale do Uco, a uva tem se desenvolvido muito bem no clima frio, produzindo vinhos 100% Syrah frutados. Mas é no Vale de Tulum, em San Juan, que a cepa melhor se adaptou ao terroir argentino, sendo beneficiada com a forte incidência solar ela resulta em vinhos bastante estruturados. Hoje a região se dedica quase que exclusivamente ao seu cultivo.
Os Syrahs argentinos são vinhos marcados por frutas escuras, notas florais e especiarias. Harmonizam muito bem com pratos apimentados, como um filet au poivre.
O Vinho Tinto Escorihuela Familia Gascón Syrah 2015 tem sabores de frutas frescas e harmoniza perfeitamente com costela suína assada com ervas e churrasco com molho barbecue.
VINHO TINTO ESCORIHUELA FAMILIA GASCÓN SYRAH 2015 750 ML
Vinho Tinto Escorihuela Familia Gascón Syrah 2015 750 mL

Chile

Deixamos para falar da Syrah chilena por último por um motivo: o país espremido entre os Andes e o Oceano Pacífico apresenta, hoje, a expressão mais ousada da variedade. O motivo do destaque que seus vinhos têm ganhado no mercado internacional se dá pelo fato de que a cepa está sendo plantada em terroirs bastante inusitados: regiões costeiras bem próximas ao mar e de clima frio.
Embora seja um país estreito, o Chile é um dos mais extensos do mundo, e seu território apresenta uma variedade impressionante de climas diferentes. Muitas regiões estão sendo descobertas agora, enquanto existe um número ainda maior de locais a serem descobertos.
A Syrah é uma uva de clima quente, rústica e resistente. Embora nascida no Vale do Rhône, próximo dos Apeninos, o solo de calcário torna a insolação solar forte e, consequentemente, o terroir quente. A vinícola Matetic, no entanto, resolveu inovar: produzir vinhos chilenos varietais com uvas cultivadas em uma região costeira e fria, o Vale de San Antonio. O resultado é surpreendente: vinhos mais aromáticos, com sabores mais frescos e complexos, e maior acidez!
Para provar o verdadeiro sabor da Syrah chilena, indicamos um vinho da inovadora vinícola Matetic, o Corralillo Syrah 2013. Esse rótulo possui sabor intenso de licor de cassis, pimenta-preta e especiarias doces.

VINHO TINTO MATETIC CORRALILLO SYRAH 2013 750 ML
Vinho Tinto Matetic Corralillo Syrah 2013 750 mL